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Conheça mais sobre financiamentos de imóveis
e faça um bom negócio

Difícil encontrar quem não sonhe com a casa própria. Ter o “seu cantinho” costuma ser o grande objetivo na vida das pessoas. Para realizar esse sonho, porém, é preciso ter uma considerável quantia de dinheiro à mão – para pagar uma casa à vista ou em algumas parcelas. Caso isso não seja possível, será preciso recorrer ao financiamento imobiliário. Atualmente, existem três modalidades básicas de financiamento: Sistema Financeiro da Habitação (SFH), Carteira Hipotecária (CH) e Sistema Financeiro Imobiliário (SFI). 
A maior parte dos financiamentos imobiliários é hoje feita pelo SFH, cujas regras são estipuladas pelo governo. Por esse sistema, os recursos da caderneta de poupança são emprestados para aqueles que vão adquirir imóveis. A intermediação é feita pelos bancos. No SFH, as taxas de juros são tabeladas (12% ao ano, uma das mais baixas do mercado); e a correção das prestações é feita pelo índice que corrige também a caderneta de poupança. Atualmente, esse índice é a Taxa Referencial (TR). No SFH só são aceitos financiamentos de até R$ 150 mil para imóveis com valor máximo de R$ 300 mil (valores de maio de 2002). 
Na Carteira Hipotecária, as taxas de juros são livres (em média, ficam em 15% ao ano). A correção também é feita pela TR. Não há limite para o valor máximo do imóvel a ser financiado, mas, nesse caso, os bancos costumam financiar entre 40% e 60% do valor do imóvel. 
O SFI é uma modalidade de financiamento que dá aos bancos uma proteção maior contra inadimplência. Por esse sistema, o banco adota como garantia a alienação fiduciária, em que o imóvel financiado continua em nome do banco e o mutuário apenas desfruta do uso do imóvel. No caso de inadimplência, o banco recebe o imóvel de volta em até 90 dias. 
Dentre as modalidades de crédito para pessoa física, as linhas de financiamento imobiliário costumam ser bem mais vantajosas, em termos de taxas de juros e prazo de pagamento, se comparadas aos empréstimos pessoais ou ao cheque especial, por exemplo. Além disso, a garantia do pagamento é o próprio imóvel. No entanto, vale lembrar que a correção pela TR dá a esse financiamento um caráter de imprevisibilidade, porque a TR embute juros, além de inflação. Por isso, para quem pretende entrar num financiamento imobiliário, a recomendação dos especialistas é que se planeje os gastos e comprometa apenas 20% da renda com a prestação. Isso dá uma margem de manobra para o comprador, no caso de queda na renda ou vaivens abruptos da economia. 

Um exemplo desse vaivém são os períodos de euforia e depressão pelos quais o Brasil tem passado nos últimos dois anos. Até fevereiro de 2001, houve um período de estabilidade e redução gradual da taxa de juros. A partir de março, porém, a preocupação com a crise na Argentina, a escalada do dólar e o medo de uma alta da inflação fizeram o Banco Central elevar novamente a taxa de juros, para 18,5% ao ano. Isso garante aos bancos receitas formidáveis apenas com operações de compra e venda de títulos públicos. A função primordial de um banco, que é a de emprestar, ainda ocupa uma fatia muito pequena das receitas. 

O economista Miguel Ribeiro de Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), explica que “isso acontece porque enquanto o governo remunera seus títulos a 18,5% ao ano, com risco quase nulo, no SFH o banco recebe 14% ao ano, em média, com risco muito maior. Os bancos preferem emprestar para o governo a se arriscar com o crédito imobiliário”. E complementa: “Esse cenário deve se manter pelo menos até o próximo ano, já que o período de eleições traz incertezas, o que dificulta a queda dos juros.” 

Mas se a remuneração dos bancos é pequena se comparada ao rendimento dos títulos do governo, por que continuam a financiar a casa própria? A resposta é simples, segundo Oliveira: os bancos querem clientes. Por ser um contrato de longo prazo, o tomador de crédito imobiliário mantém um longo relacionamento com o banco que concede o empréstimo. Por isso, esse tipo de crédito é chamado pelos bancos de “fidelizador”. Isso é, ele ajuda o banco a conquistar e manter o cliente. 
Por isso, nem tudo está perdido. Mas é preciso pesquisar bastante, antes de optar por uma instituição. Desde que a Caixa Econômica Federal, responsável por 90% do crédito imobiliário, interrompeu a concessão de crédito em agosto do ano passado para retomar neste ano de 2002 com mais restrições, os bancos seguiram o exemplo. A maior parte deles diminuiu a possibilidade de comprometimento de renda e exige uma entrada maior para o comprador. Alguns também mantiveram apenas o financiamento pela taxa de mercado, com juros mais salgados. Nossa dica é: pesquise bastante, planeje e faça suas contas. Com certeza, será possível encontrar uma opção que caiba no seu bolso. Para ajudá-lo nessa pesquisa, fizemos uma comparação entre as condições de financiamento de algumas instituições do mercado. 
Você está preparado para comprar a casa própria? O consultor de finanças pessoais Louis Frankenberg, autor dos livros Seu Futuro Financeiro e o recém-lançado Viva Melhor Sem Dívidas, dá algumas dicas para refletir antes de partir para a compra da casa própria: 

• Você dispõe da entrada exigida para a compra da casa própria?

• Tem certeza de que não vai precisar se mudar em breve?

• Todos os membros da família estão comprometidos com o sacrifício que terá de ser feito? Por exemplo, abandonar a idéia das férias no exterior?

• O aluguel que você paga é muito baixo em relação ao mercado? Se for, talvez seja melhor economizar para comprar a casa à vista.

• Você não está comprometendo muito dos seus rendimentos líquidos mensais com a prestação? (ele recomenda 25%, no máximo)

• Você tem um fundo de reserva para enfrentar dificuldades financeiras, como, perda do emprego, problemas de saúde? Se não tiver, faça imediatamente. Uma boa reserva é o valor de doze prestações do financiamento imobiliário.

Mais Dicas..

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